quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ambientalista egoísta

Concordo que as preocupações "ambientalistas" são antes de mais preocupações com o nosso ambiente: aquele que é confortável para mim, para os humanos. Bom ar para respirarmos, água para bebermos, chuvas não tóxicas para a nossa agricultura, biodiversidade para continuarmos a ter acesso a variados recursos em complexo equilíbrio, condições atmosféricas razoavelmente agradáveis...

Mas é incrível a capacidade do ser humano de descontar o futuro e pensar "Ah, mas isso será só daqui a não-sei-quantos anos!" Vivemos como aqueles fumadores que já sabem há muito tempo que fumar não é saudável, aumenta brutalmente a probabilidade de cancro do pulmão (além de gerar péssimo hálito e dentes pretos) e leva a muito provável sofrimento futuro. Para quê stressar? Vou mas é curtir a vida! É amanhã? Então não importa.

O famoso problema do free rider (passageiro clandestino?) só piora as coisas: eu sou apenas um entre mais de 6 mil milhões. Se o vizinho do lado deita lixo para o chão, desperdiça energia, anda de carro o tempo todo, etc. etc., por que tenho de ser eu a poupar os recursos do mundo? Vou mas é curtir a vida! Sou uma gota no oceano? Então não importa.

As boas notícias são que o universo, a Terra, a vida e outras tantas coisas fantásticas já estavam cá milhares de milhões de anos antes do ser humano e cá continuarão depois do ser humano. Desaparece uma parte simpática desta obra espectacular, mas ficam 99,9999999999...%. Nada mais natural (a história da vida está cheia de extinções!), apesar da nossa mania de que somos especiais e merecedores de um bail out divino que nos mantenha infinitamente no "poder", com o "estatuto" que julgamos ter.

Então, para quê mudar o nosso comportamento?

Por egoísmo: cuidar do ambiente é exactamente cuidar do ambiente em que vivo... se o mantiver num estado mais estável, limpo, funcional, é provável que eu viva uma vida mais confortável, com menos percalços, mantendo acesso aos recursos a que estou habituado (ar, água, alimentos, fontes energéticas, matérias primas...).

Por nepotismo, nacionalismo, antropocentrismo: se preservar o ambiente, pessoas perto de mim (família, amigos, conterrâneos, outros humanos...) viverão uma vida mais confortável.

Por animalismo, plantismo ou vidismo (preferência pela vida) em geral: se preservar o ambiente em que os seres vivos vivem, é mais provável que eles continuem a viver. Eu gosto de seres vivos (pelo menos grande parte deles - tenho alguma dificuldade com as baratas, mas estou a melhorar).

Por equilíbrio: se eu impactar menos o ambiente vivo em maior equilíbrio com ele. Em geral gosto de equilíbrio (com uns abanões de vez em quando, sempre para alcançar algo melhor).

Por estética: talvez um mundo menos cinzento e menos poluído, com mais variedade de seres vivos seja mais bonito?

Por outras razões que agora não me ocorrem. Propõe as tuas nos comentários! E se tiveres razões para destruir o ambiente, também gostaria de as ouvir - serão certamente uma excelente fonte de reflexão.

Sou certamente um dos humanos com maior impacte ambiental e não é fácil definir onde estão os limites... Vou continuar a trabalhar para melhorar na protecção do meu ambiente. Seria masoquismo fazer outra coisa.




PS: Obrigado, João, por teres provocado esta reflexão!

domingo, 3 de outubro de 2010

Triatlo Longo de Desaru

O plano era completar o meu segundo 1/2 Ironman (1.9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21 km de corrida), depois de Porto Santo no ano passado. Mas o triatlo de Desaru era uma prova bem relaxada em muitos aspectos e acabou por ter distâncias algo diferentes, ainda assim a merecer o nome de "triatlo longo": aproximadamente 2.2 km de natação, 85 km de ciclismo e 19 km de corrida (tendo em conta o calor infernal, aqueles 2 km a menos na corrida não souberam nada mal!).

Foi o meu primeiro triatlo com o Banana Prata Triathlon Club, o grupo de loucos Ironmen e candidatos com quem tenho treinado nos últimos dois meses (tema para uma bulicena um dia). Espero que o primeiro de muitos triatlos! Este grupo é "péssima" companhia e arrisco seriamente uma infecção com o vírus do Ironman...

Fiquei muito satisfeito com o resultado desportivo e com o excelente fim-de-semana passado em Desaru (a um ferry + 80 km pedaláveis desde casa)! No espírito relaxado da prova, não registei os tempos na prova e só soube o meu tempo e classificação final duas semanas depois (não havia chip para registo automático dos tempos). Fiz:
. 38'35" na natação (13º melhor tempo)
. 3h11'11" no ciclismo, incluindo transições (247º tempo). Ia com uma média de uns 30 km/h, mas tive um furo a 20 km do final e devo ter perdido 10 a 15' na troca de câmara de ar (eu sei, tenho de praticar mais...)
. 1h26'06" na corrida (3º melhor tempo, que me levou do 181º para o 47º lugar final!). Ao contrário do meu costume de passar a todo o gás, parei em cada um dos postos de abastecimento de água, para aí a cada 2 km, onde tentava arrefecer o corpo o máximo possível despejando água - felizmente bem fresca - na cabeça e pelas goelas abaixo. O efeito era espectacular... durante 2 ou 3 minutos sentia-me muito melhor!

Tempo final: 5h15'52" (resultados completos aqui).

O maior acontecimento do fim-de-semana foi certamente a Sílvia ter feito o seu primeiro triatlo!!

Clicar na foto para ver a reportagem fotográfica da Sílvia, incluindo fotos dos companheiros Banana Pratas:

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Felizes 45, Singapura!

Mais um dia nacional de Singapura.

Muitas bandeiras espalhadas pela cidade (nenhuma na janela de casa... espero que o Ministério do Trabalho não tenha isso em conta ao avaliar o meu pedido de renovação de visto!).



Merchandising variado em vermelho e branco. Suspeito que quem sair à rua hoje sem usar nada vermelho corre risco de multa ou prisão! Será que os meus famosos calções vermelhos servem?



Mais uma vez vou faltar à parada do dia nacional (desta vez por não ter investigado como arranjar bilhetes há uns meses, antes de eles serem distribuídos). Mas celebrei o dia com a minha primeira volta à ilha em bicicleta, mais ou menos pelo percurso indicado neste mapa, no sentido dos ponteiros do relógio.




Este ano Singapura tem pelo menos duas coisas especiais a celebrar: a notícia de há poucos dias (que só parece fabricada pelo governo!) de poder ser o país com o maior crescimento económico do mundo este ano, e os primeiros Jogos Olímpicos da Juventude, que começam esta semana. Já as inaugurações dos primeiros casinos... dão-me náuseas.

Os meus votos para Singapura neste aniversário são de excelente continuação de todos os êxitos! E de melhoria nos habituais temas mais questionáveis: o défice democrático, o tratamento de terceira classe aos imigrantes menos qualificados, a hipocrisia dos casin... ah, perdão, resorts integrados, os estupidamente altos gastos militares...

Majulah (P'rá frente) Singapura!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Viagem a Java Central

Passámos excelentes 10 dias em viagem pela região central da ilha de Java, na Indonésia, por Yogyakarta (Yogya ou Jogja para os amigos) e arredores. Conhecendo as minhas tendências prolixas, especialmente com uma viagem recheada de coisas a comentar, para já deixo aqui as fotos que a Sílvia seleccionou e muito bem comentou - quem sabe animo-me a escrever uma bulicena longa (ou várias pequenas?) depois.

Clicar na foto para ver o álbum:

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Uno

From this infinite, this food has come to us.
By this food, we realize ourselves on this planet.
To this food we are grateful.
For nature and people who have brought this food, we are thankful.
This food becomes us.
By eating together we become one family on this planet.
Through this food, we all are one.
Let us love each other in this life.
Let us realize our endless dream.

Michio Kushi
in The Book of Macrobiotics: The Universal Way of Health, Happiness and Peace (online aqui)


Obrigado pela citação, Patrícia! Agradeçamos e tornemo-nos todos unos com o universo!